25/10/2014

À Direção Majoritária da UBES, Dilma e Aécio não nos representam!

 Por Mariana Trindade, Diretora da UBES, Juventude Vamos à Luta (PA)
No último dia 14/10, ocorreu uma reunião presencial de diretores – executivos e plenos – da atual gestão da UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas). Na ocasião, um principal ponto discutido foi se a entidade apoiaria ou não a candidatura da atual presidente do Brasil. Infelizmente foi aprovado.
            Foi aprovado que a UBES apoiará neste segundo turno a candidatura da Presidente que atacou com seu governo, com a Força Nacional de Segurança, a juventude que foi às ruas em junho de 2013. Foi aprovado que a UBES apoiará o atual governo, o que mais transferiu verbas da educação pública, das universidades federais para as mãos da iniciativa privada e aos tubarões do ensino e transferirá mais ainda, de acordo com os marcos do PNE, aprovado neste ano, enquanto o ensino público – básico e o superior – definha pouco a pouco e os tetos das escolas e universidades caem sobre nossas cabeças. Desse modo, foi aprovado apoio à Fernando Collor em AL, base aliada do Governo Dilma, ex-presidente duramente combatido pela UBES na década de 1990. Foi declarado apoio ao que há de mais retrógrado presente no congresso atual, com figuras que representam oligarquias, o ódio do fundamentalismo religioso e devastadores do meio ambiente, como Barbalho, Maluf, Sarney, Calheiros, Katia Abreu etc. Bem como Aécio representa o mesmo projeto econômico e social nesse processo eleitoral.
A direção majoritária da UBES não reflete a base!
            A atual direção majoritária da UBES não corresponde ao processo lutas e enfretamentos com os governos que a juventude secundarista tem travado nos últimos anos – principalmente em junho do ano passado – e que se acirram cada vez mais. Lutas que contrariam a política de sucateamento e mercantilização que sofre a educação, tanto a nível estadual, como federal, principalmente. Basta vermos a percentagem do orçamento da União tirado para 2015. Dilma e o seu Governo (PT/PMDB/PCdoB) destinam mais de 47% do orçamento pra pagar juros e amortizações da dívida pública. Um absurdo! Pois todo esse montante deveria ser revestido para as áreas sociais e tirar setores como saúde e educação de míseros 4%, aproximadamente, cada.
            Tudo isso porque a majoritária da UBES é a UJS (juventude do PCdoB) e está de braços dado com o Governo Federal, diga-se de passagem com o tucanato também, visto que a eleição de Flavio Dino (PCdoB) no Maranhão contou com Carlos Brandão, o vice da chapa que é do PSDB. A direção hoje vende a entidade para as pautas defendidas por Dilma em detrimento das que foram levantadas em junho de 2013 e nos constantes levantes da juventude nos diferentes estados.
            Votar nulo e construir na base uma alternativa às lutas dos secundas!
             Nossa alternativa é a mobilização pela base nas escolas, para que conquistar os anseios dos estudantes secundaristas que estiveram nas ruas em junho de 2013, os que tocam lutas por melhor infraestrutura nas escolas, mais investimentos na educação e que é retaguarda dos embates da classe trabalhadora com seus patrões.
            Diante disso, nossa posição nessas eleições será dar continuidade à luta pelas pautas que surgiram a partir de junho, como por exemplo, o Passe Livre para estudantes e desempregados, valorização dos educadores, a universalização das universidades públicas, devemos lutar pelo fim dos processos seletivos segregacionistas e, além disso, reforma nas escolas e nas universidades, com 10% do PIB para a educação e saúde. Por isso dizemos NÃO para as alternativas apresentadas nesse segundo turno das eleições,        – Dilma e Aécio – não nos representam.

23/10/2014

Nem Aécio, nem Dilma! Só a luta muda a vida!

No primeiro turno das eleições, nós da Juventude Vamos à Luta, fomos parte da campanha de Luciana Genro nas ruas, escolas e universidades. Uma campanha que enfrentou as três principais candidaturas do sistema – Dilma (PT), Aécio (PSDB) e Marina (PSB/Rede) – denunciando que estes eram irmãos siameses porque tinham unidade em torno de uma política econômica que privilegia os interesses dos banqueiros, multinacionais, empreiteiras e do agronegócio, ou seja, das empresas que igualmente financiaram suas campanhas eleitorais.
Luciana Genro apresentou um programa radical em sintonia com as bandeiras das Jornadas de Junho de 2013 e das greves de 2014, colocando a necessidade da auditoria e suspensão do pagamento da dívida pública para se investir em saúde e educação públicas, taxação das grandes fortunas para aumentar os investimentos em transporte público e saneamento básico, o fim das privatizações, legalização da maconha e desmilitarização da PM para por fim a guerra às drogas que mata a juventude negra e pobre da periferia, criminalização da homofobia e legalização do aborto.
Agora no segundo turno são Dilma e Aécio que disputam a chave do cofre e, portanto, é importante que a juventude e o povo trabalhador oprimido e que luta no país estejam preparados – não acumulando ilusões em um “governo menos pior” – para os ataques próximo ano que virá: com maior intensidade da política hoje já aplicada.
Não nos representam!
O certo: ganhe quem ganhar, virá embrulhado um pacote de ajustes salariais e retirada de direitos especialmente para os trabalhadores, que mais uma vez terão os lastros da crise econômica e os interesses do capital financeiro enfiados goela a baixo. Mais de 47% do orçamento nacional será dirigido aos bolsos dos magnatas e banqueiros nacionais e internacionais, que representam pouco mais de 5 mil famílias, conforme a lei orçamentária já enviada por Dilma ao Congresso Nacional. Um verdadeiro absurdo quando comparamos com os valores do Bolsa Família e demais medidas assistenciais do Governo do PT/PMDB, já que apenas 2,7% do orçamento tem de abranger cerca de 40 milhões de famílias pobres brasileiras; ou o próprio salário mínimo, já que não oferece condição alguma de sustentar famílias inteiras. Enquanto os índices da inflação aumentam, o PIB nacional decresce a cada nova estimativa dos economistas, mantendo-se, atualmente, em 0,27%. Ou seja, resultado da política econômica inplementada por Dilma (PT/PMDB), a mesma defendida por Aécio (PSDB).
Um ou outro manterá e ampliará a política neoliberal, iniciada em 1995 por FHC com a regulamentação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) mantida por Lula e Dilma, a qual obriga governos estaduais e prefeituras a terceirizarem serviços; além da transferência do que é público para as mãos da iniciativa privada. Foi assim na década de 1990 com os governos tucanos a nível federal com FHC e estadual com privatizações de setores como minas e energia, telecomunicações, transportes etc. Da mesma maneira como atuaram Lula e Dilma de 2003 até agora, privatizando portos e aeroportos, estádios de futebol (Maracanã), leiloando a preço de banana a reserva petrolífera do Campo de Libras, transferindo a saúde e educação pública para o mercado financeiro privado, com medidas como a EBSERH nas universidades federais e o próprio PROUNI, e como apontam os marcos do PNE aprovado neste ano que escancara os cofres públicos para atender os interesses dos tubarões do ensino, visando mercantilizar cada vez mais a educação.
A política de repressão aos movimentos sociais, bem como à juventude que foi às ruas em junho de 2013 e à classe trabalhadora que protagonizou as lutas em greves históricas em 2014, será mantida! Da mesma forma como atuou o governo Dilma a nível federal e os governos estaduais do PSDB reprimindo e criminalizando a juventude negra e pobre nas favelas, como fez o governador Geraldo Alckmin com o MTST e com os metroviários em SP, como fez o governo Cabral/Pezão (aliado de Dilma) com Amarildo, Cláudia e DG, além dos protestos e greves com o aparato da Força Nacional, o Exército, tropa de choque e a política genocida de UPPs, sem falar dos altos investimentos bélicos com os acordos diplomáticos com o Estado sionista-terrorista de Israel.
Dilma e Aécio também representam o mesmo projeto conservador, pois ambos tem como aliados os setores mais reacionários da política brasileira. Com Aécio estão Silas Malafaia, Jair Bolsonaro e Marcos Feliciano, apesar deste ter pertencido à base do governo Dilma até pouco tempo chegando à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal através de acordos com o PT. Com Dilma estão Edir Macedo, Garotinho, Collor, Calheiros, Barbalho, Katia Abreu, Maluf e Sarney. O Congresso Nacional segue tão conservador como antes, com a tarefa de impedir que os direitos das mulheres, negros e negras, LGBTs, trabalhadores e indígenas avancem, seja como base de sustentação do PT ou PSDB!
O papel da direção majoritária da UNE e da Oposição de Esquerda
Desde o primeiro turno, a direção majoritária da UNE (UJS/PCdoB/PT) já estava em campanha para Dilma e seus candidatos a nível estadual. No MA, estavam com os tucanos, pois o PSDB era vice do governo eleito Flávio Dino (PCdoB). No AL, estavam na campanha do Collor, o mesmo que a UNE ajudou a derrubar há vinte anos atrás. Ou seja, estavam do lado da velha política, atuando para eleger os conservadores que atacam os direitos da juventude! Agora no segundo turno, estão em campanha aberta para Dilma, tentando iludir a juventude e escondendo os projetos de privatização e precarização que os governos do PT aplicaram nas federais.
Discordamos da postura de companheiros da Oposição de Esquerda. UJR e JSOL, por exemplo, argumentam seu voto em Dilma para deter a onda conservadora que atinge o país, omitindo que parte do conservadorismo governa hoje ao lado de Dilma e do PT. Além disso, a última resolução da OE apresentada no dia 14/10 também ilude os estudantes, como se Dilma fosse “menos pior” que Aécio. Para nós, a principal tarefa da Oposição de Esquerda da UNE é de preparar os estudantes, pela base nas universidades, para lutar contra os ataques que sofrerá a educação superior no próximo governo, seja com PT ou PSDB.
Votar nulo e organizar a juventude e os trabalhadores para seguir a luta contra o governo que vier!
Toda essa política econômica que é transferência do público para o setor privado, que serve para dizimar a juventude e reprimir trabalhadores, defendida tanto por Dilma como por Aécio, está em detrimento de maiores investimentos para o que deveria ser público de direito constitucional.
Portanto, só com a luta nas ruas e greves garantiremos os investimentos reais e expressivos, como por exemplo, os 10% do PIB para a educação e saúde, que deveriam ser investidos em aberturas de vagas para todos que queiram ingressar no Ensino Superior gratuito e de qualidade, pondo fim ao vestibular e ao método meritocrático de avaliação; em bolsas de pesquisa e extensão; em assistência estudantil e moradia estudantil aos que moram distante dos campus; em bandejões e ampliação dos RUs para por fim às filas; em uma expansão de vagas das universidades oposta ao REUNI, na qual o estudante pobre e trabalhador possa concluir sua formação; em hospitais públicos que tenham médicos, enfermeiros e servidores bem pagos que atendam a população com qualidade; e com salários dignos para todos servidores públicos. Os investimentos devem garantir transportes coletivos que sejam públicos de fato e com passe-livre para a juventude e desempregados, rumo à tarifa zero, principal reivindicação em junho de 2013.

Justiça para Ayotzinapa! Somos todos 43!

Em 26 de setembro um dos maiores massacres da história do México acontecia, quando estudantes da Escola Normal Rural de Ayotzinapa foram atacados por agentes municipais de Iguala – cidade do estado de Guerrero – e homens “encapuzados” pertencentes a grupos criminosos vinculados às autoridades estatais, resultando na morte de quatro e no desaparecimento de 43 jovens. O que ocorreu com os “normalistas” de Ayotzinapa é semelhante ao que ocorre em diversas comunidades e periferias no Brasil, onde a juventude é brutalmente assassinada, seja pela guerra entre o poder estatal e o tráfico ou no conluio entre governos e milícias, assim como no RJ.
Milhares de jovens decidiram dar nas ruas uma resposta ao massacre cometido contra os estudantes, uma indignação que extrapolou os níveis locais provocando uma onda de mobilizações massivas em cidades do México, com ações radicalizadas como a na capital de Guerrero, quando mais de 2 mil estudantes atacaram e ataram fogo no Palácio do Governo, além de ocupação de prefeituras e de fechamentos de estradas no estado. Além disso, a solidariedade de entidades estudantis e de trabalhadores levaram a paralisação com greve em universidades e escolas. Ainda que o governo de Enrique Peña Neto, presidente do México, responda os manifestantes com ainda mais repressão, um novo dia de lutas nacional e internacional foi convocado para o dia 22 de outubro. Na verdade, o Peña Nieto precisa ser responsabilizado pelas mortes do quatro e pelo desaparecimento dos 43, pois seu governo promove uma política nacional de escalada de repressão contra aqueles que ousam lutar no México contra uma crise econômica e social que é de responsabilidade do seu governo!
Somos solidários à dor e à luta dos jovens mexicanos que tomam as ruas exigindo o aparecimento dos 43 normalistas de Ayotzinapa, a investigação e a punição do responsáveis!
Vamos à Luta!

11/10/2014

Greve dos operadores de telemarketing da CONTAX/BH conquista vitórias

Na última sexta-feira encerrou-se os 7 dias de intensa greve e mobilização dos operadores de telemarketing da CONTAX em BH. Foi uma importante luta de uma categoria com pouca tradição de mobilização, com piquetes durante todos os dias de greve e com uma adesão considerável, levando em conta as pressões e as mentiras propagadas pela empresa. Os trabalhadores deram um show de disposição na luta, com muitas palavras de ordem, no convencimento dos outros trabalhadores, na disciplina e na organização da greve. A direção do sindicato, que estava ausente da empresa durante muito tempo, foi empurrada pelos trabalhadores a encampar a luta.

As principais conquistas da greve foram o pagamento do retroativo de aumento salarial que deveria ter ocorrido em maio para os trabalhadores que recebem mais de um salário, o reajuste do vale alimentação e o pagamento da PLR em 35% de um salário sem as restrições pretendidas pela empresa. Sabemos que as vitórias estão muito aquém das reais necessidades dos trabalhadores, por isso é importante que o comando de greve se organize e prepare uma poderosa campanha salarial no primeira semestre de 2015. Também é importante que a direção do sindicato esteja a altura das necessidades e exigências da categoria.

Mas além do ganho econômico, a greve foi uma importante vitória política, uma vez que os trabalhadores enfrentaram uma poderosa multinacional que super explora os trabalhadores e impõe salários e benefícios baixíssimos. Muitos dos operadores, jovens entre 18 e 25 anos, participaram de sua primeira greve e com certeza tiraram lições sobre a necessidade de luta e de organização dos trabalhadores. A Greve de BH também ajudou a impulsionar a luta dos trabalhadores em Porto Alegre e em outras cidades, demonstrando a necessidade de unificar as lutas.
Nós do Coletivo Vamos à Luta e da CST/PSOL estivemos desde o início na mobilização e na organização dos trabalhadores, seja com nossos militantes que trabalham na empresa ou com o apoio de militantes do movimento estudantil. Nossa candidata a deputada estadual Rana, suspendeu todas as atividades de campanha para acompanhar e apoiar a luta dos operadores da CONTAX. Seguiremos nessa batalha, com os trabalhadores, pois acreditamos que só a luta muda a vida!

04/07/2014

O PAPEL DA MULHER COMO VOZ POLÍTICA DE EMANCIPAÇÃO

 BOLETIM DO COLETIVO DE JUVENTUDE VAMOS À LUTA – Construindo uma Nova Direção Juvenil (DF)
No 01 Julho de 2014

Por Isabela Alves*


Para entender como foi construída a voz feminina como sujeito político de emancipação é necessário fazer um percurso histórico de como se organizou os diversos movimentos de mulheres durante a história, especialmente a do Brasil e da América Latina.
Um dos grandes êxitos do Movimento de Mulheres das décadas de 70 e 80 no Brasil foi o de trazer ao debate público assuntos que até então ficavam restritos à esfera privada, como a questão da violência doméstica ocorrida contra mulheres por seus maridos. Foi na década de 70 também que a taxa de mulheres sindicalizadas cresceu 176%. Antes ainda, houve a campanha sufragista que resultou no direito de voto à mulher .Contudo, essas conquistas não atingiram de forma homogênea a todas as mulheres. No caso do voto por exemplo, inicialmente somente mulheres casadas, viúvas e solteiras com renda própria poderiam votar.
Estudiosas como Cynthia Sarti, apontam para a modernização individualista da mulher a partir dos anos 60, com a utilização dos métodos contraceptivos, acesso ao ensino superior, dando-se numa sociedade altamente hierarquizada em termos de classe, raça e gênero. No Brasil, esses avanços foram destinados em sua maioria ao Sudeste branco, urbano e mais desenvolvido.
A década de 90 foi o período das conferências internacionais que discutiram a questão da violência contra a mulher em uma escala mundial.
Em 2006, com a promulgação da Lei nº 11.340/06, Lei Maria da Penha, tivemos no Brasil um marco histórico ao inserir no plano normativo a categoria de gênero há muito estudada pelas ciências sociais. A partir dessa lei, a violência contra a mulher pôde ser discutida também como uma questão de gênero, categoria construída socialmente como reflexo do tratamento desigual concedido às mulheres ao longo da história.
Salientamos que comete um erro grave quem pensa que a discussão de gênero está descolada da discussão sobre a exploração de uma classe sobre a outra no processo produtivo, ou sobre a exploração de uma raça sobre a outra. Na realidade, as discussões se entrelaçam e é necessária uma leitura madura sobre isso que dê conta da importância do tema.
A clássica frase “o gênero nos une e a classe nos separa” vem ao encontro do entendimento de que a mulher enquanto leitura de gênero não está descolada da sua realidade social, dos tipos de exploração que sofre enquanto mulher trabalhadora. Por isso, a nossa escolha enquanto luta feminista é se vincular aos nossos desafios enquanto classe trabalhadora assalariada que convive com os desmandos dos patrões e das patroas. Para nós, não adianta que uma mulher assuma a Presidência da República, mas que obedeça à cartilha do grande capital financeiro, representado pelos bancos que nos submetem ao constante corte nas áreas sociais nas quais estão vinculadas a construção de creches e os investimentos na política pública de enfrentamento à violência contra as mulheres. A contradição assume um aspecto incontornável uma vez que mais de 40% do Orçamento Geral da União são destinados ao pagamento de títulos da dívida pública para essas instituições financeiras. Uma dívida que deveria ter sido auditada desde 2010 após a CPI da Dívida Pública e nada foi feito.
Segundo dados da Auditoria Cidadã da Dívida Pública, em 2013, a previsão orçamentária para o enfrentamento da violência contra a mulher foi da ordem de R$ 191 milhões, isto é, 3.761 vezes menos que o valor destinado à dívida pública federal no mesmo ano. Já o montante efetivamente executado foi de R$ 135 milhões, o que corresponde a um percentual de 71% do que havia sido previsto.
Acreditamos que as jornadas de junho, onde 57%dos manifestantes eram mulheres, abriram as portas de uma nova situação política. Vivemos um momento favorável para a luta de classes, com uma mudança na correlação de forças. De um lado, estão a juventude, os trabalhadores e setores populares, mais fortes e mais confiantes, do outro lado, na defensiva, os governos e as velhas direções burocráticas e traidoras dos movimentos populares e sindicais.
No meio desse processo de enfrentamento; de greves, e de repressão aos trabalhadores por parte dos governos ligados à Dilma (PT/PMDB) e também aos partidos da velha direita (PSDB), defendemos que a militância de esquerda deva fazer um exercício diário de combate a qualquer tipo de opressão que se manifesta não somente com a agressão física, mas muitas vezes com a agressão moral e psicológica principalmente às mulheres.
Como um Coletivo historicamente combativo e que tem centenas de mulheres liderando suas lutas, repudiamos veementemente qualquer atitude considerada machista em nosso meio, porém, assim como o método da dialética materialista defendido pelos marxistas, defendemos que essas práticas devem ser desconstruídas na militância diária, pois não estamos imunes a elas e devemos nos disciplinar diante disso.
Outro fator fundamental é o fato de acreditarmos que a mulher deve ser o sujeito legítimo para decidir sobre o que fazer ou não com o seu corpo. Assim, o polêmico tema sobre a descriminalização do aborto deve ser encarado de frente pela militância de esquerda para que seja feito um debate sério sobre o tema.
Com relação à regulamentação ou não das profissionais do sexo, percebemos que muitos mulheres e homens esquecem de perguntar para as próprias profissionais do sexo o que elas pensam a respeito do tema . Para nós esse ato leva ao equívoco de querer falar pelas pessoas sem ao menos empoderá-las como sujeito de direito de relações que as envolvem.
Isso não é nem nunca será um feminismo combativo que deve ser perpetuado nas trincheiras das batalhas que enfrentamos todo dia. Essa ideia de que vamos salvar alguém é totalmente distorcida, artificial.
Nesse sentido, faz-se necessário que o movimento de mulheres amadureça sua militância, conversando com as protagonistas dessa discussão, integrando-as à nossa luta diária e não com ideias pré- concebidas de superioridade com relação a essas mulheres.
O Coletivo de Juventude Vamos à Luta, vive um momento de reconstrução e reorganização de sua luta no DF tendo como uma das prioridades, o debate e a efetivação da luta feminista dentro dele. Por isso, faremos um debate aberto, com grupos de leitura e discussão, roda de conversa sobre o feminismo, sobretudo o classista; o feminismo voltado para a periferia, já que defendemos que a luta da mulher jamais será eficaz se for centrada em um pequeno e favorecido grupo. Acreditamos que devemos construir uma militância que preza pela formação consciente de cada vez mais pessoas. Além de estudos que defendemos que devem ser feitos entre as mulheres da organização.
Levantaremos também uma discussão que preze a nossa postura de reconhecimento da necessidade da desconstrução do machismo e da reprodução dele, de forma legítima e pedagógica, já que o machismo é uma prática enraizada e tão forte dentro da nossa sociedade, exigindo a revisão e desconstrução por parte de todos e todas; todos os dias e mais ainda na luta.
Por isso, convidamos a todas e a todos para essa atividade objetivando uma troca de experiência e impressões que levem ao avanço essa pauta tão necessária.

*Isabela Alves Reis que é Bacharel em Direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) e estudante de Letras Espanhol pela UnB. É militante do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), do Coletivo de Juventude Vamos à Luta e da CST (Corrente Socialista dos Trabalhadores). A companheira Isabela é estudiosa do Feminismo com corte de classe com especial atenção às profissionais do sexo.Mantém também um blog com a temática.

DEBATE
O PAPEL DA MULHER COMO VOZ POLÍTICA DE EMANCIPAÇÃO
Dia 03 de julho de 2014, às 15hs.
No Mezanino do ICC Norte da Universidade de Brasília.

O Coletivo de Juventude Vamos à Luta surgiu em 2007 a partir da onda de ocupações de reitoria ocorridas em todo o Brasil, as quais questionavam a implementação da expansão sem qualidade do Reuni e que teve seu ápice na ocupação histórica da Reitoria da UnB em 2008 que derrubou o Reitor Timothy Mulholland. Somos conhecidos por ser um Coletivo combativo e agitativo atuando em todo o Brasil.Atualmente compomos a Oposição de Esquerda da UNE.

01/07/2014

SOMOS TODOS METROVIÁRIOS: READMISSÃO DOS 42 DEMITIDOS POR ALCKMIN (PSDB)

Chega de corrupção e repressão no metro!

A greve de cinco dias dos metroviários de São Paulo, as vésperas da COPA da FIFA, sofreu um dos mais duros ataques dos últimos anos. Além da violenta repressão por parte da Tropa de Choque da Polícia Militar, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, mandou demitir 42 trabalhadores. Na tentativa de sufocar a entidade a justiça paulista bloqueou cerca de R$ 900 mil do sindicato para o pagamento de “multas”. O governo Dilma e seus Ministros, o prefeito Haddad, o PT e o PCdoB, atuaram juntamente com Alckmin, o PSDB, a mídia e a justiça burguesa contra a greve do metro. Se agora tentam colocar a culpa nos Tucanos “repressores” é unicamente por questões eleitoreiras. Não podemos, portanto, nutrir expectativas nesse setor.
Após a derrota da greve, cujo balanço não trataremos aqui, a categoria se rearticula em defesa dos 42 demitidos. Na assembleia do dia 26/06 foi aprovada a realização de ato público em conjunto com o MTST e personalidades no dia 03/07, além de medidas econômicas para manutenção dos que estão afastados de seus postos de trabalho. Várias entidades e movimentos se solidarizam com a causa no Brasil e no mundo (http://www.metroviarios.org.br/site/index.php?option=com_content&Itemid=&task=view&id=1877). O Vamos à Luta é parte dessa campanha com a mesma energia que estivemos no apoio a greve. Tarefa que pode ser abraçada unificadamente por todos os coletivos e juventudes da Oposição de Esquerda da UNE, da ANEL, pelos DCE’s e grêmios de luta, Executivas e Federações de curso combativas e por cada ativista que está nas ruas desde junho.
As centrais sindicais majoritárias, como a direção da CUT, Força Sindical, UGT, CTB, etc, nada fizeram efetivamente nas categorias que estão sob sua direção para cercar de apoio concreto os metroviários. Ou seja, o “apoio” tão divulgado ficou só no discurso. Por isso exigimos que a burocracia rompa a trégua com os governos e os patrões e mobilize ofensivamente para os atos unificados. Além de incluir esse tema nas campanhas salariais do segundo semestre e contribuir generosamente com o fundo financeiro de apoio aos demitidos.
“Está em curso uma clara intervenção política no Sindicato dos Metroviários. Ao demitir quase um terço da direção da entidade e tentar nos sufocar financeiramente, porque ousamos lutar e denunciar a corrupção por parte desse governo no metrô de São Paulo, Alckmin tenta mandar um recado ao movimento sindical combativo e aos movimentos sociais, que não o desafiem. De nossa parte, não nos calarão, seguiremos firmes, para isso contamos com a solidariedade do movimento sindical combativo, de intelectuais, artistas e defensores dos direitos humanos para que se somem na campanha pela readmissão, bem como na defesa de nosso direito de protestar e defender o patrimônio estatal”, disse Alex Fernandes (secretario geral do sindicato dos metroviários) integrante da UNIDOS PRA LUTAR e um dos trabalhadores demitidos.
Nossa juventude vai ajudar na divulgação dessa batalha. Entre nessa campanha enviando texto abaixo para o Portal do Governo do Estado de São Paulo:http://www.saopaulo.sp.gov.br/ no ícone FALE CONOSCO. Com cópia para: sindicalismoclassista@gmail.com
“Ao Governador de São Paulo Sr. Geraldo Alckmin
Da: Entidade ou personalidade
Sr. Governador Geraldo Alckmin,
Todos acompanhamos a legitima greve dos trabalhadores metroviários do Estado de São Paulo, bem como nos indignamos com a forma violenta que foi reprimida, não somente a categoria, como também as dezenas de lutadores sociais que junto com os metroviários exigiam transparência nas finanças do metrô de São Paulo e exercitavam seu legitimo direito de reivindicar reajuste salarial e melhores condições de trabalho. As manifestações ocorridas em junho de 2013 parecem que não lhe fizeram compreender que o povo não lutava somente por R$ 0,20 (vinte centavos).
Exigimos a imediata readmissão dos 42 trabalhadores metroviários demitidos, o arquivamento de todo e qualquer processo administrativo ou sindicância contra esses ou outros trabalhadores (as), bem como, o fim das perseguições e assédio moral por parte do governo e do metrô para com a categoria metroviária."
PARA DOAÇÕES: conta no Banco do Brasil. A agência é 6.821-7 e a conta corrente é 373-5. A conta é do Sindicato

27/06/2014

FORA FIFA! BASTA DE REPRESSÃO!

Em 2007, quando o Brasil foi anunciado como sede da Copa do Mundo de 2014, o governo Lula (PT/PMDB/PCdoB) exaltava a conquista afirmando que o megaevento traria muitos benefícios para o povo brasileiro, visto que seriam realizadas muitas obras públicas e que a construção e reforma de estádios seriam financiadas pela iniciativa privada, sem nenhum gasto público. Lula iniciou o falacioso discurso do “legado da Copa”, ao qual Dilma e seus braços no movimento operário – as direções da CUT, a CTB e outras direções sindicais pelegas – e no movimento estudantil – as direções da UNE e UBES (UJS-PCdoB/PT) – deram continuidade. Mas logo se comprovou que Lula, todo governo e os governistas estavam mentindo mais uma vez.
 
Gastos exorbitantes, os maiores da história das Copas, que ultrapassaram os R$30 bilhões com a maioria das obras de infraestrutura inacabadas e que estão longe das reais necessidades do povo. Pelo contrário, cerca de 180 mil famílias pobres foram expulsas de suas casas, seja para a construção de estádios, estacionamentos ou hotéis de luxo ou através do aumento da especulação imobiliária que aumentou o valor dos aluguéis.  A criminalização da pobreza se intensificou através do aumento da militarização da segurança pública, política que assassinou Amarildo, Cláudia e DG, no Rio de Janeiro, e o jovem Douglas Rodrigues, em São Paulo, e que colocou o Exército no Complexo da Maré no mesmo dia em que completavam 50 anos do Golpe Militar no Brasil. Tudo isso, somado à crise econômica que faz com que Dilma e os patrões arrochem mais os salários e flexibilizem os direitos dos trabalhadores, além da precarização e privatização de direitos básicos da população como saúde, educação, transporte e moradia, gerou a indignação de milhões de brasileiros que se manifestou claramente nas Jornadas de Junho de 2013, onde entre os gritos mais ouvidos nas manifestações em dezenas de cidades eram “Não vai ter copa”, “Da copa eu abro mão, eu quero é dinheiro pra saúde e educação” e “Ei, FIFA, paga a minha tarifa”! E a luta não parou por aí, pois logo depois dos gigantescos protestos protagonizados pela juventude em 2013, diferentes categorias de trabalhadores se organizaram e fizeram greves, lutando não só por salários ou condição de trabalho, mas também contra as mazelas da Copa como, por exemplo, na greve dos garis do RJ que diziam “Os garis querem fazer as compras o prefeito quer fazer a Copa”.
 
Hoje a Copa está sendo realizada, mas não para os trabalhadores e estudantes, apenas para os ricos, que podem pagar para desfrutar do evento, e para os governos, seus amigos empresários e a FIFA que não param de lucrar. Basta olhar para as fotos dos jogos nos estádios e percebemos que a população brasileira pobre, negra e trabalhadora não teve o direito de participar da festa que ela mesmo bancou, pois segue sendo explorada nos seus locais de trabalho e massacrada no caos das cidades-negócio do projeto de Lula e Dilma, do PT, PMDB e dos governadores do PSDB e do PSB. E o que fica como legado são os gastos bilionários, privatizações, precarização dos serviços públicos, remoções, a elitização dos estádios e a repressão aos quem lutam contra esses absurdos.  O investimento de R$2 bilhões em aparato repressor contra as manifestações durante a Copa da FIFA de Dilma e os governadores já foram aplicados na absurda repressão aos atos que questionaram o megaevento, como no dia 12/6 em São Paulo, inclusive, com perseguição e prisão de ativistas e no dia 18/6 em Porto Alegre. Além disso, o governo federal e os governos estaduais utilizam a “Justiça” para criminalizar greves ou legitimar a demissão de trabalhadores, como os servidores técnico-administrativos das universidades federais, os metroviários de SP e os professores da rede estadual e municipal do RJ.
 
Mas uma coisa está clara, esta Copa não é a Copa que o governo queria. O questionamento da juventude e dos trabalhadores gerou um enorme grau de desgaste ao evento descolando o governo e FIFA da seleção brasileira e do amor das pessoas pelo futebol. As vaias, os protestos, as greves, insatisfações e as necessidades da população não serão respondidas com esse mundial. As contradições e o caos social seguirão. Por isso, segue a necessidade de dizer que a FIFA não pode continuar mandando em nosso país com a ajuda da subserviência de Dilma aos interesses dos poderosos. É preciso dizer NÃO à repressão que acontece às manifestações que questionam as consequências da realização da Copa no Brasil, como já vimos durante a primeira fase do campeonato. A luta segue e é necessário realizar atos massivos e coordenados nos estados durante os dias de jogos das oitavas ou quartas de finais, unificando as categorias em greve, os trabalhadores sem-teto e a juventude indignada para exigir auditoria de todas as obras da Copa, punição às empresas ou governos responsáveis pelos superfaturamentos, expropriação dos imóveis inutilizados para moradia popular, estatização do transporte com tarifa zero e fim da criminalização e repressão aos manifestantes e grevistas

Majoritária da UNE aprova plataforma "chapa branca" no 62º CONEG da UNE

Balanço público do Vamos à Luta - Juventude Indignada

Há um ano aconteciam em diversas cidades os atos de junho de 2013, quando milhões foram às ruas para derrotar os aumentos das tarifas do transporte e reivindicar mais investimentos públicos em saúde e educação, questionando os gastos bilionários da Copa da FIFA. Esse ano, vivenciamos as greves e lutas dos trabalhadores no país inteiro: rodoviários, professores, servidores federais, metalúrgicos, metroviários, sem-teto, etc. O sentimento de indignação de junho continua presente e é papel da juventude apoiar os trabalhadores em suas lutas. É o exemplo que estão dando os estudantes da USP, Unicamp e Unesp, lutando junto com os professores e técnicos-administrativos contra o arrocho salarial do governo Alckimin (PSDB) e prestando solidariedade aos 42 metroviários demitidos.

Nesse contexto, que ocorreu em São Paulo, entre os dias 30 de maio e 01 de junho, o 62º CONEG da UNE, que reuniu os DCE’s, UEE’s e Executivas/Federações de curso. Infelizmente, o CONEG não refletiu nada dessa conjuntura. A direção majoritária da UNE (PCdoB/PT) jogou atuou para que esse fosse um espaço muito superestrutural, esvaziado, com pouca base de estudantes. Não à toa o local do evento foi alterado em cima da hora para dificultar a organização dos estudantes em participar do espaço. Embora acontecendo na USP, o CONEG não conseguiu refletir a greve geral e as mobilizações que acontecem na Universidade. A luta dos estudantes e da juventude em todo lugar passa por fora da direção majoritária da UNE porque já não tem confiança nessa direçãoeles que não tocam as lutas de apoio às greves porque defendem o governo Dilma que não negocia com as categorias em greve. A exemplo do DCE da UFF, dirigido pela majoritária, que atua junto com a reitoria para jogar os estudantes contra a greve dos técnicos-administrativos. A Oposição de Esquerda poderia ter jogado esse papel de levar pro espaço do CONEG a greve e o exemplo dos estudantes da USP, pois dirige o DCE. Também como uma forma de esvaziar o CONEG, a direção majoritária realizou na mesma data uma atividade da UEE-SP, que também reunia os DCE's, para que os estudantes das universidades paulistas em greve tivessem que se dividir entre os dois espaços do movimento estudantil. 

 A plataforma da UNE e o papel da Oposição de Esquerda

O principal objetivo da direção majoritária da UNE nesse CONEG era aprovar na plenária final a plataforma da UNE para as próximas eleições. Uma plataforma chapa branca que não reflete as principais reivindicações daqueles que foram às ruas em junho, nem dos trabalhadores grevistas de agora. Uma plataforma para blindar o governo Dilma e, posteriormente, apoiar sua candidatura à reeleição. Isso não é novidade. No CONEG de 2010, também foi votada uma plataforma eleitoral proposta pela direção majoritária e a Oposição apresentou e defendeu uma outra proposta.

No entanto, diversos coletivos da Oposição de Esquerda (Jsol, Juntos, Rebele-se, RUA), apostavam na possibilidade de se apresentar e defender na plenária final desse Coneg uma plataforma única com o consenso entre todos os campos da entidade: majoritária, campo popular, oposição de esquerda. Ainda que no final das contas tenham sido apresentadas duas plataformas na plenária final do CONEG, uma da direção majoritária e campo popular e outra da Oposição, queremos discutir o que estava em jogo com aquela possibilidade de consenso.

É fundamental debatermos qual o caráter da Oposição e a necessidade de enfrentar a burocracia do movimento estudantil e o governo Dilma. Se essa é a necessidade prioritária para os coletivos que compõem a OE ou se a prioridade é tocar as lutas "comuns", com uma entidade "unificada" atuando em consenso com todos campos e setores. Nós do Vamos à Luta entendemos que é errado diluir a OE na confluência com a majoritária da UNE e o campo popular. O que está em debate é qual o caráter da Oposicão? Se a Oposição tem que servir para derrotar a burocracia ou não; se é para ser oposição de esquerda ao governo Dilma ou não; se é para ser alternativa de direção ou é para consensualizar com a burocracia.

Entendemos que a razão de ser da Oposição tem que ser derrotar a burocracia que trai a luta dos estudantes em todos os espaços do movimento. Não é possível consenso sobre uma programa para os estudantes levantarem nessas eleições com a direção majoritária que, em São Paulo, esteve junto com o governo Haddad e contra as greves dos rodoviários, que diz que não há contradição entre a Copa, saúde e educação e chama a juventude pra ser voluntária da Fifa e restringe a meia-entrada.
Em todos os locais, as lutas e greves vem se dando cada vez mais por fora e contra as velhas burocracias pelegas encasteladas nas entidades, tanto na juventude, quanto nas greves dos trabalhadores. Foi assim na greve estudantil de 2012 que ocorreu por fora da majoritária e também é assim nas greves que vem acontecendo como garis no Rio de Janeiro e operários metalúrgicos em Niterói. Por isso, é importante que a Oposição esteja cada vez mais conectada com o sentimento de indignação da juventude, afirme um perfil próprio e combata a burocracia do movimento estudantil.

Entendemos que é fundamental que a Oposição reafirme o perfil que conformou nossa chapa no Congresso da UNE (Conune) de 2013: oposição de esquerda ao governo Dilma/ Temer (PT/ PMDB), oposição de esquerda à direção majoritária da UNE (PCdoB/ PT). É afirmando um perfil próprio, construindo pela base o movimento estudantil para derrotar o governo e a burocracia, defendendo as pautas levantadas em junho e apoiando as lutas dos trabalhadores que a Oposição poderá se constituir como uma alternativa de direção pro movimento estudantil. Por isso, o papel da OE agora é de levar o programa que defendemos juntos na plataforma própria para as lutas da juventude defendendo o rompimento com a política econômica neoliberal do governo Dilma e que os ricos paguem pela crise econômicaReforma Agrária com expropriação de todos os latifúndios e o fim do agronegócio; auditoria e suspensão do pagamento da dívida pública com destinação desses recursos às áreas sociais, sobretudo saúde e educação e fim do superávit primário; fim da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF); uma Petrobrás 100% estatal e sob controle dos trabalhadores com revogação os leilões das bacias petrolíferas retomando o monopólio estatal; estatização das empresas que ameaçarem demissões e reestatização das empresas privatizadas; anulação da Reforma da Previdência; demarcação imediata de todas as terras indígenas e quilombolas e contra a retirada da Constituição federal do capítulo referente aos direitos dos povos indígenas; fim das isenções fiscais aos empresários do transporte; pela estatização do transporte público sob controle dos trabalhadores e com tarifa zero; defesa de uma educação 100% pública, laica, com a garantia do tripé, que reconheça e combata os preconceitos existentes em nossa sociedade; por uma política de expansão de vagas do ensino superior público, com garantia de investimentos suficientes para termos qualidade no ensino e estrutura adequada nas IFEs, a fim de se atingir a universalidade no acesso e o fim do vestibular; Pela democratização das administrações das Universidades, dando um maior protagonismo aos estudantes na construção do ensino superior, paridade nos órgãos colegiados de decisão, fim da lista tríplice e eleição direta para reitores e reitoras, diretores e diretoras e coordenadores e coordenadoras; Contra a militarização das cidades; fim das UPPs: para que o Estado esteja nas periferias com uma política de segurança pública com garantia de direitos; por uma saúde 100% pública, gratuita e de qualidade; em defesa do SUS, pelo fim das OS’s e fundações privadas; imediata abertura de concursos para todos os níveis da saúde; revogação do decreto da EBSERH; Fim dos subsídios aos planos de saúde privados.

23/05/2014

Rodoviários esperam decisão do TRT em estado de greve

Em reunião na tarde de hoje (21/5), os rodoviários do município do Rio de Janeiro decidiram entrar em estado de greve, ou seja, em alerta, porém, sem paralisação, para esperar uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que seja favorável às reivindicações da categoria. Caso contrário, entrarão em greve por tempo indeterminado a partir do dia 27 próximo, decisão que será tomada em assembleia em frente ao prédio sede do TRT. Até lá, farão reuniões diárias, na Central do Brasil, em frente ao ponto do ônibus 125. Divulgarão em todas as garagens que dia 27 será o limite. Farão, ainda, uma carta à população para distribuir na Central do Brasil na sexta-feira e segunda-feira próximas. A ideia é convocar os rodoviários de todo estado a entrarem em greve juntos dia 7.
Eles voltam a se reunir amanhã (22/05), às 16 horas, na Central do Brasil.

As reivindicações dos rodoviários são:
- 40% de aumento no salário,
- Cesta básica de R$ 400
- O fim da dupla função (motorista e cobrador ao mesmo tempo), um perigo também para o usuário.


Mais informações com Alex Ramos (917-17660 - 7739-1745), do Comando de Greve


22/05/2014

SEGUIR O EXEMPLO DA JUVENTUDE DA USP!

Unificar as lutas da juventude e as greves dos trabalhadores!
No dia 21/05, uma quarta-feira marcada por diversos piquetes em todo país, os professores, funcionários e estudantes da USP votaram greve a partir de 27/05. Os professores e técnicos da USP entram em greve devido ao congelamento salarial proposto pelo governo Alckmin (PSDB) e o Conselho de Reitores (Cruesp) das Universidades paulistas: USP, Unicamp e Unesp. Na Unicamp, os técnicos entram em greve a partir do dia 23/05; professores e estudantes ainda vão realizar suas assembleias. Na Unesp, cinco campi já tem indicativo de greve de professores, técnicos e estudantes.

São Paulo vai parar! Unificar rodoviários, professores, metalúrgicos, MTST, Universidades!
As greves e lutas que sacodem todo o país atingem São Paulo com força. Os rodoviários paralisaram por dois dias essa semana por não aceitarem o acordo que o sindicato fechou com as empresas, um processo muito parecido ao que acontece no Rio de Janeiro por meio de uma rebelião de base e a revelia da direção pelega do sindicato. Nesta quinta, a greve dos rodoviários se espalhou para outras cidades da região metropolitana. Os professores da rede municipal, em greve há um mês, realizam fortes atos que paralisam as ruas da capital. Metalúrgicos realizam paralisações, por distintas razões, em São Paulo, ABC e Campinas. Os metroviários estão em estado de greve. Com diversas ocupações, o MTST realizou em 08 e 15/05, diversos atos e piquetes na cidade; e nesse dia 22, um ato unificado com cerca de vinte mil pessoas. Agora, tudo se encaminha para uma greve geral na USP, Unicamp e Unesp na próxima semana. O que todas essas greves e mobilizações tem em comum é a luta contra o arrocho salarial de Dilma, Alckmin e Haddad, o questionamento aos gastos bilionários e a especulação imobiliária da Copa da Fifa. Devemos cercar de solidariedade os grevistas e lutadores, seus piquetes, passeatas e ocupações e denunciar a criminalização a qual estão submetidos por parte dos poderosos e da mídia: “quadrilhas” são os políticos e empresários que estão “sabotando” o povo por meio da elevação do preço dos alugueis e do transporte caótico superlotado e caro. Eles é que são “caso de polícia” na máfia do transporte, contratos da Petrobras, Cartel do Metro e mensalões. É necessário unificar todas essas lutas e coordenar as greves em curso para pressionar os governos e os patrões e obter conquistas. Exigimos que a CUT e demais centrais sindicais abandonem todos os pactos com os governos e patrões e proponham a coordenação das greves e lutas em curso para construirmos uma greve geral. Esse é caminho para construir uma greve geral em São Paulo.

Seguir o exemplo nas Universidades federais
Nas Universidades federais, segue a greve dos servidores técnicos-administrativos, paralisados há mais de dois meses, com muita radicalização e importantes atos e atividades, como a Caravana à Brasília, apesar da intransigência do governo Dilma ao não negociar. Diversos outros servidores federais também entraram em greve no último mês como o Sinasefe e a Cultura. Nesse dia 21, dia de paralisação nacional do Andes, ficou demonstrada a importância de unificar os três segmentos das Universidades. Por isso, é necessário que o Andes conflua com a greve da Fasubra, a exemplo da greve geral da USP; o que fortaleceria ao movimento estudantil combativo a realizar uma greve nacional estudantil pela base como em 2012.

A Juventude de todo país tem que fazer como na USP!
Os estudantes da USP, em assembleia que reuniu mais de 800 ontem, deram o exemplo nacional ao votar greve em apoio aos professores e funcionários e pelas suas pautas locais. Logo após a assembleia, os estudantes saíram em ato em apoio à paralisação dos rodoviários de São Paulo, caminhando até o Terminal Butantã com faixas e cartazes em apoio aos rodoviários e reivindicando a estatização dos transportes sob o controle dos trabalhadores, entre outras pautas.
Se os estudantes da USP mostram o caminho, a direção majoritária da UNE (UJS/PCdoB e PT) está na contramão das lutas, greves e mobilizações que estão acontecendo no país. Estão do lado dos governos que arrocham os salários dos trabalhadores e defendem a Copa do Mundo da Fifa que só favorece os grandes empresários e empreiteiras. Por isso, é fundamental construir pela base uma nova direção pra juventude.
Se em junho de 2013, foi a juventude que tomou as ruas no país inteiro contra os aumentos das tarifas de ônibus, hoje são os trabalhadores, com suas greves, paralisações e piquetes, que estão em cena. Por isso, o papel da juventude combativa de todo o país tem que ser confluir com a classe trabalhadora em todos os espaços. Devemos realizar assembleias em todas as Universidades e escolas para divulgar a batalha em curso na juventude de São Paulo e votar apoio a greve estudantil da USP e as demais lutas.
Maio de 2014
Vamos à luta – Juventude classista!