26 de jan de 2015

Mobilizar, ousar vencer, como fizeram os operários do ABC!

VITÓRIA! Trabalhadores da Volks de São Bernardo passam por cima da direção de sindicato e com greve revertem 800 demissões!
10 dias de greve, trabalhadores da Volks mostram o caminho para enfrentar o ajuste do governo Dilma

A greve dos metalúrgicos da Volks do ABC foi a primeira grande batalha da classe trabalhadora contra o ajuste do Governo Dilma (PT/PMDB) e dos patrões em 2015. Podemos dizer sem dúvidas que os operários saem vitoriosos. A readmissão de 800 trabalhadores mostrou que a patronal foi obrigada a recuar perante a força desta luta. A base dos trabalhadores teve que enfrentar também a política nefasta da burocracia sindical, que um mês antes havia defendido em assembleia uma proposta de que se aceitasse mais de 2000 PDVs (Plano de Demissão Voluntária) e também congelamento de salários, sendo derrotada pelos trabalhadores na porta da fábrica. 

Foi uma greve histórica, imposta desde a base metalúrgica, e que seu exemplo deve ser seguido pelos trabalhadores de outras fábricas, como a Scania, Mercedes, Ford e outras empresas que ameaçam demitir trabalhadores. Não temos dúvidas de que a classe operária do ABC, a partir do exemplo da Volks, sai mais confiante e mais fortalecida para lutar contra o ajuste. 

Uma greve que teve a solidariedade de classe de milhares de trabalhadores

Um dia histórico desta greve foi 12 de janeiro, quando 20 mil pessoas tomaram a Via Anchieta e confirmaram o grande apoio a greve e aos trabalhadores demitidos. Metalúrgicos da Ford, Mercedes e Kharman Ghia se solidarizaram aos companheiros da Volks, paralisaram suas atividades e marcharam em conjunto. Delegações de diversas categorias do Estado de São Paulo estiveram presentes, apesar da política da direção da CUT de não mobilizar a base de suas categorias para o ato. Metroviários, Professores, entre outros setores da classe trabalhadora se somaram a luta dos metalúrgicos. Familiares dos demitidos também estiveram presentes e mostraram comoção no ato.

A unidade forjada pelos metalúrgicos de várias fábricas neste ato relembrou os anos 80, onde as greves unificadas deram o primeiro passo na derrubada da ditadura militar.

A CST-PSOL, Unidos pra Lutar e o Coletivo Vamos à Luta enviaram delegações nestes últimos dias em solidariedade à greve. O companheiro Davi de Souza Júnior, da Unidos pra Lutar e diretor do Sindicato dos Químicos de SJC, que esteve presente em apoio à greve, juntamente com outros vários dirigentes da entidade, declarou após uma assembleia: “Estamos aqui porque esta é uma greve decisiva. Os ataques aos trabalhadores da Volks, com estas demissões, refletirão fortemente em toda a classe trabalhadora. A vitória dos trabalhadores da Volks fortalecerá todas as lutas que estão por vir. Cercar esta greve de solidariedade é a tarefa de todo movimento sindical combativo”.
As contradições do acordo e o papel da direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

A greve foi vitoriosa, conseguiu a reversão das demissões e os trabalhadores saíram mais conscientes de sua força e confiantes na sua luta. Porém, não podemos deixar de colocar que o acordo que a diretoria do Sindicato fez com a patronal tem algumas armadilhas para esses trabalhadores: a primeira é o PDV (Plano de Demissão Voluntária) que já havia sido rejeitado pelos trabalhadores em assembléia do dia 02/12 que prevê a adesão de até 3 mil trabalhadores. Sabemos que historicamente os PDV não tem quase nada de “voluntário”. Haverá a partir de agora uma enorme pressão dentro da empresa para os trabalhadores aderirem ao Plano. Segundo , o acordo prevê congelamentos salarial até 2016, descartando reajuste real, e amarra em regras pouco claras as campanhas salariais do setor até 2019.

Fica claro após a leitura dos pontos do acordo, que a patronal irá tentar reverter aos poucos a vitória que os trabalhadores tiveram na greve. Para isso, planejam contar com a capitulação e até o apoio da direção do Sindicato, como ficou demonstrado na assembleia do dia 02/12 onde a própria diretoria do sindicato defendeu o PDV e o congelamento de salários propostos pela empresa.

A força da greve, seu apoio externo, e a enorme disposição de luta dos trabalhadores poderia ter revertido as demissões sem aceitar esses problemas do acordo. Porém, a direção do Sindicato, com posição vacilante desde o início, foi responsável por estas cláusulas negativas.

Esta postura equivocada, ficou demonstrada na estratégia do Sindicato de reunir com o governo federal e jogar ilusões de que este governo poderiam defender os trabalhadores. Um governo que iniciou o ano com uma série de cortes de direitos trabalhistas deve ser enfrentado diretamente, pois o PT governa centralmente para defender os interesses das multinacionais, dos bancos e das empreiteiras e não os direitos dos trabalhadores. São coniventes com as milhares de demissões que tem ocorrido no setor industrial. A derrota eleitoral do PT no ABC Paulista, foi também uma demonstração de que cada vez mais se dissipam as ilusões de nossa classe com este governo burguês encabeçado pela presidente Dilma.

Não podemos deixar de citar, que a estratégia da pequena oposição, agrupada em torno da CSP-Conlutas, foi também desastrosa neste sentido. O eixo político de “Dilma, proíba as demissões”, não reflete em nada o processo de ruptura que a nova geração da classe operária brasileira está fazendo com o PT, e só serve para gerar mais ilusões ainda de que seria possível Dilma intervir diretamente em favor dos trabalhadores.

Neste sentido, reafirmamos nossa exigência para que a direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, junto com a CUT, rompa com este governo que só vem atacando os trabalhadores. Além disso, que seja parte da preparação da unificação das lutas no Estado de São Paulo. As lutas por emprego, moradia, água e contra o aumento da tarifa devem ser unificadas em um forte plano de lutas.

Os trabalhadores da Volks são nosso exemplo para resistir ao ajuste

O “ajuste fiscal” de Dilma e dos governadores se concretizam em dezenas de milhares de demitidos na indústria. Também no aumento das taxas de juros, que tiram das áreas sociais para encher o bolso dos banqueiros. A diminuição dos benefícios do seguro-desemprego e de direitos previdenciários é parte deste ataque global. O aumento da gasolina, da energia elétrica e das tarifas do transporte público também se somam às medidas contra o povo. Há um verdadeiro “tarifaço” contra o povo em curso. Neste sentido, somente organizando greves, atos e protestos por todo país poderemos impor uma derrota aos planos dos governos e dos patrões.

Por uma Plenária Nacional para organizar a luta contra a retirada de direitos!

Propomos que as organizações sindicais, estudantis e populares combativas e de esquerda construam unitariamente uma agenda de lutas contra os ataques que afetam a vida do povo. Para isso é necessário construir uma plenária nacional unitária com todos e todas os que quiserem participar para articular ações concretas contra as medidas que estão sendo apresentadas pelo governo Dilma, pelos governadores e os patrões. Uma tarefa fundamental para a CONLUTAS, as Intersindicais, o CONAT, as correntes sindicais de esquerda, sindicatos nacionais como o ANDES-SN, movimentos como o MTST; partidos como o PSOL, PSTU, PCB e PCR dentre outras organizações políticas; a esquerda da UNE, a ANEL e DCE’s como da USP e UFRJ; para as oposições sindicais combativas, os sindicatos que resistem o ajuste. Os operários da Volks mostraram que é possível vencer e o grande ato do dia 12, mostrou que é possível propor a unidade dos trabalhadores em torno de suas reivindicações.

São Paulo, 26 de Janeiro de 2015

Corrento Socialista dos Trabalhadores/PSOL
Unidos pra Lutar
Vamos à Luta

ESPETACULAR TRIUNFO DA ESQUERDA NA GRÉCIA

CST-PSOL

Uma explosão de alegria sacode o povo grego após ter derrotado o candidato da troika nas eleições de domingo 25 de janeiro votando em Syriza. Esta alegria percorre o mundo, pois o povo trabalhador e as classes medias dos setores mais empobrecidos, aqueles que estão sentindo nas costas os planos de ajuste iguais ou similares aos impostos ao povo grego, compartilham o sentimento de esperança e esperam reproduzi-lo nos seus países. Por esse motivo é que parabenizamos o povo e os trabalhadores gregos.

Não é para menos. Após anos de crise política e econômica imposta pela UE liderada pela Ângela Merkel junto com os governos subservientes e a grande burguesia grega que levaram à miséria e ao desemprego milhões de pessoas, depois de ter realizado 20 greves gerais e paralisações, mobilizações e atos de todo tipo, os gregos falaram alto para afirmar: BASTA DE AUSTERIDADE! e votaram em Syriza encabeçada por Alexis Tsipras.

Votaram pelo partido que propôs enfrentar o ajuste, aumentar os salários e anular as reformas trabalhistas anti operárias. Foi um claro voto contra a troika, contra o Memorando, o FMI e contra os candidatos e partidos que os representavam: Nova Democracia e os falsos socialistas do Pasok.


Mas o povo tem que se manter alerta e mobilizado. No Brasil temos o triste exemplo do PT e do Lula, que se elegeu em 2002 prometendo acabar com a miséria, a fome, as privatizações, o desemprego, mas governou e seu partido continua governando para os patrões e multinacionais, aplicando agora através da presidente Dilma um feroz plano de ajuste similar aos que aplicou a troika na Grécia.

Por estes antecedentes, não vemos que a burguesia imperialista europeia ou norte americana tentarão uma saída parecida com a que fizeram contra Chávez na Venezuela em 2002. Mas com os exemplos do PT e de outros partidos ou movimentos que foram de esquerda buscará negociar para cooptá-los como fizeram com Lula e o PT, hoje absolutamente domesticados. Por esta razão preocupam algumas declarações de altos dirigentes que falam em “negociar” ou em “respeitar as obrigações assumidas pela Grécia” no âmbito da União Europeia. 

Mas do que nunca então, o povo deve continuar com a mesma garra, se mobilizando para impor as saídas de fundo pelas quais anseia e votou. Cabe ao novo governo de Syriza honrar o mandato dado pelo pelos trabalhadores e o povo, romper com o pagamento da injusta e imoral dívida externa, o que levará inevitavelmente ao rompimento com a União Europeia e romper com o Memorando para avançar em outras medidas anticapitalistas. Essa e a única garantia para ter emprego e salário digno, saúde aposentadoria e educação de qualidade, caso contrário a experiência histórica e recente demonstra mais uma vez que não existe outro caminho intermediário.


VIVA A LUTA E O TRIUNFO DO POVO GREGO!

A juventude trabalhadora frente o pacote de maldades do governo Dilma

Danilo Bianchi*

Já no primeiro mês de 2015, o governo de Dilma Rousseff e sua nova equipe ministerial anunciou uma série de medidas visando cortar gastos e equilibrar as contas públicas, a fim de garantir recursos para o superávit primário, ou seja, economia para pagar juros da dívida pública. O principal expoente do ajuste é Joaquim Levy, banqueiro profissional, ex-diretor do Bradesco e do FMI, que foi nomeado por Dilma ao Ministério da Fazenda, uma espécie de raposa para cuidar do galinheiro.

Até o momento o pacotão de maldades conta com cortes no orçamento – como o de R$7 bilhões na educação, o que contradiz o discurso de posse quando Dilma anunciava o slogan do governo de “Pátria Educadora” –, aumento de impostos que atingira sobre tudo a população de baixa renda. E as medidas provisórias que atacam diretamente conquistas históricas dos trabalhadores brasileiros como o seguro-desemprego, abono salarial, auxílio-doença, pensão por morte e seguro defeso.

Apesar das medidas atingirem em cheio o conjunto dos trabalhadores brasileiros, uma parcela já mais explorada e mal paga sofrerá as piores consequências da política econômica reacionário do governo Dilma: a juventude trabalhadora. Essa fração de trabalhadores é composta por jovens entre 18 e 24 anos, em maioria mulheres que compõem hoje os empregos mais precários, ocupando posições de super-exploração em call-centers, redes de supermercados, fast-food, lojas, drogarias e no setor público, na maioria das vezes contratados por meio de criminosas terceirizações.

A média de permanência de um trabalhador no primeiro emprego é de 11,9 meses, sendo que, no total, 43,3% permanecem menos de 6 meses no emprego. Anteriormente a exigência para o acesso ao direito do seguro-desemprego era a de permanecer 6 meses, agora o tempo de permanência sobe para 18 meses na primeira solicitação e 12 meses na segunda.  Já referente ao abono salarial anteriormente se exigia apenas um mês de carteira assinada para ter acesso a pelo menos um salário mínimo, agora será exigido 6 meses ininterruptos e o pagamento será proporcional ao tempo trabalhado. Com essas medidas 41,5% dos trabalhadores perderão o direito, sendo que entre os trabalhadores de 18 a 24 anos esse número aumento para 60%.

Greve da Contax/BH, outubro de 2014
A opção política do governo federal atingirá em cheio a juventude trabalhadora de hoje, mas também uma parcela significativa de jovens que ingressarão no mercado de trabalho nos próximos anos, se tornando cada vez mais reféns de empresas que praticam procedimentos de assédio moral e não possuem nenhuma responsabilidade social, como fica comprovado na interdição pelo Ministério do Trabalho da multinacional de call-centers Contax no Recife, que possui mais de 200 mil funcionários no Brasil e coleciona denúncias de irregularidades trabalhistas, perseguições e terceirizações ilícitas. Empresas como a Contax e suas contratantes como Oi, Vivo, Itaú, Bradesco e Santander financiaram a campanha eleitoral da maioria dos parlamentares e também da própria presidenta. Agora Dilma brinda seus aliados nomeando Joaquim Levy, cortando direitos trabalhistas e deixando os jovens reféns dessas corporações criminosas.

Além disso, várias dessas corporações são direta ou indiretamente credoras da dívida pública, uma dívida ilegal e imoral que o governo continua pagando religiosamente. Em praticamente uma semana o governo gasta com juros da dívida o mesmo que irá economizar por ano com as restrições com o seguro desemprego, cerca de 8 bilhões. E, segundo a Valor Econômico, é estimado que quase metade desse valor tenha sido desviado da Petrobras durante as gestões petistas.

Após uma dura campanha eleitoral em 2014, quando os marqueteiros do PT apresentaram uma Dilma “guerrilheira” de coração valente contra o reacionarismo conservador do tucano Aécio Neves, o novo governo petista já mostra seu verdadeiro lado, sendo a continuação do retrocesso, com medidas que visam fazer a grande massa de trabalhadores brasileiros pagar a conta da crise econômica e da corrupção.

É urgente organizar os trabalhadores para enfrentar as medidas de austeridade de Dilma, seguindo o exemplo dos operários da Volks. Para isso é necessária a mais ampla unidade de ação contra a retirada de direitos. É necessário exigir que as centrais e federações sindicais, como a CUT e entidades estudantis como a UNE e UBES abandonem a cumplicidade com o governo e a disputa de cargos e verbas. As organizações sindicais, estudantis e populares combativas e de esquerda necessitam construir unitariamente uma agenda de lutas contra os ataques que afetam a vida do povo, começando com uma plenária nacional unitária "contra o ajuste fiscal" ou "contra a retirada de direitos" com todos e todas os que quiserem participar para articular ações concretas contra as medidas que estão sendo apresentadas pelo governo Dilma.



*Delegado sindical da CONTAX/BH, estudante de História da UFMG e militante do Vamos à Luta e da CST/PSOL.

25 de jan de 2015

BH: Pela derrubada do aumento da tarifa! Chega de ataque à juventude e aos trabalhadores!

A concessão de transporte publico em BH foi assinada em 2008 pelo então prefeito na época Fernando Pimentel (PT), e mantida pelo atual prefeito Márcio Lacerda(PSB) que foi eleito no ano seguinte com o apoio do PT e PSDB. Esta concessão tem a validade ate o ano de 2028 para os transportes de Belo Horizonte, já as linhas metropolitanas a concessão vai até 2038. Este ajuste é publicado sempre no dia 28/12 e efetivado no dia 29/12. Vale lembrar que em 2008 o Governador de Minas Gerais era Aécio Neves (PSDB), que concedeu o aumento do transporte na capital e das regiões metropolitanas.

O final de 2014 não foi diferente, mais uma vez houve aumento nas tarifas de transporte publico. Para os ônibus que circulam na capital mineira a tarifa que era de R$2,85 passou a custar R$ 3,10, já os ônibus que circulam as regiões metropolitanas variam os preços de acordo com a região. Sem dúvida o aumento favorece os empresários do transporte que financiam as campanhas eleitorais e agora tem assegurado o retorno de seu investimento. Os corruptos estão juntos para fazer o povo pobre pagar pela crise econômica que eles mesmos criaram, com aumentos dos impostos, pagamentos da dívida interna e externa e uma retirada brutal dos direitos.

Dilma: Mal menor uma ova!

O governo Dilma (PT/PSDB) já começou seu segundo mandato aplicando seus ajustes e atacando direitos trabalhistas, como o seguro-desemprego e cortando verbas das áreas sociais. Dilma, aliada aos governadores e prefeitos, estão unidos na aplicação do ajuste, no aumento das tarifas e de tantos outros ataques. Como se não bastasse, Dilma escolheu as figuras mais reacionárias como ministros para ajudá-la a continuar com o bolsa empresário. Temos como exemplo o Joaquim Levy, Cid Gomes e Katia Abreu. Todos os governos estaduais anunciam um “necessário ajuste nas contas”. Sartori no Rio Grande do Sul fala em cortar gastos e congelar concursos, no Rio Pezão disse que será "preciso" cortar o orçamento de 20 a 25% das secretarias, Alckmin em São Paulo anunciou corte de 6 bilhões das áreas sociais, e em Minas Gerais Pimentel tomou posse falando em "austeridade".

SP, RJ, BH: Unificar as lutas, contra os ajustes dos governos e patrões!

Diante deste cenário, onde o governo opta por atacar mais uma vez a população, os trabalhadores e a juventude devem se unir para combater de fato essa exploração. Não podemos aceitar esse ajuste que faz parte de um pacote operado nacionalmente pelo governo Dilma em parceria com governadores e prefeitos! A única forma de revertermos essa situação é lutando pela estatização do transporte público para termos tarifa zero e o sistema de transporte sob controle dos trabalhadores e usuários.

É preciso unificar e massificar as lutas contra o aumento e os ajustes de Dilma, e assim garantir a redução da passagem em BH e em todo o país!
 
 

24 de jan de 2015

DIA 26/01: Contra a política de traição da UJS/PCdoB e pelo congelamento das mensalidades já no Pará!

Eduardo Rodrigues,
Vamos à Luta/CST-PSOL
Coordenador Geral do DCE UNAMA

Manifestação contra aumento das mensalidades nas capas de jornais do Pará.

A direção majoritária da UNE e UBES paraense - composta pela União da Juventude Socialista (PCdoB) - tem prestado um papel nefasto de estar à serviço da tranquilidade aos interesses dos empresários da educação nos últimos 20 anos. E em 2015 repetem a capitulação às posições patronais na mesa do Procon/PA que discute o aumento das mensalidades de escolas, faculdades e universidades de todo Pará! Esse setor burocrático do movimento estudantil, em todos esses anos de aumentos nas mensalidades tem sido totalmente omisso. Tem paralisado covardemente a União Nacional dos Estudantes e União Brasileira do Estudantes Secundaristas diante desses ataques do empresariado da educação no estado. Enquanto dirigentes das maiores entidades estudantis do país, nunca chamaram à mobilização e à luta, nunca enfrentaram o aumento de nossas mensalidades, muito pelo contrário, todo ano a UJS/PCdoB entra em acordo com o aumento, preferindo sempre sentar para negociar quando deveriam estar organizando a luta dos estudantes!

No dia 13/01 nós, do movimento estudantil combativo, realizamos uma importante manifestação em frente ao Procon/PA denunciando os 20 anos de aumentos nas mensalidades, exigindo o imediato congelamento das mensalidades de todas as escolas, faculdades e universidades do Pará, através do Diretório Central de Estudantes da UNAMA e contando com o apoio de estudantes secundaristas e universitários de outras instituições públicas e privadas. Os dirigentes da UJS/PCdoB nada fizeram! Enquanto nós protestávamos e exigíamos o congelamento imediato das mensalidades, ou seja, aumento zero, a UJS/PCdoB propunha que se aumentasse 6,5%! Estavam defendendo o reajuste tal qual o Procon/PA que é atrelado ao Governo Jatene (PSDB) no estado - que também é responsável pela situação precária das escolas e universidades paraenses. Os burocratas do PCdoB tentam esconder seu alinhamento com o aumento das mensalidades atrás do argumento do "índice da inflação", em seguidismo à outras entidades. Mas para ser coerentes em defender os marcos da inflação, o que ainda seria totalmente equivocado, teriam de questionar, no mínimo, os 19 anos que essa mesa aplicou nas mensalidades aumentos acima do índice inflacionário e, logicamente, também defender nenhum aumento em 2015, face o valor abusivo que se acumula! No entanto, a realidade é que esse setor do movimento estudantil não move nenhuma palha na luta contra o aumento e ainda quer posar de "esquerda" com uma proposta que também é a favor dos empresários!

É preciso sempre lembrar que a UJS está diretamente atrelada ao corrupto e neoliberal Governo Dilma (PT/PMDB/PCdoB), portanto, é responsável também pela omissão na denúncia de não-regulamentação das instituições particulares, pela farra das mensalidades todo ano realizada pelos tubarões do ensino, pelo corte de R$ 7 bilhões na educação brasileira realizada por Dilma e o Ministro da Educação Cid Gomes (PROS), o governo que passa dinheiro público para empresários através do PROUNI e do FIES, endividando as famílias ao invés de investir em mais educação pública, gratuita, democrática, laica e de qualidade, em vez de investir os recursos em mais vagas na UFPA, por exemplo! A direção da UJS/PCdoB aplica a política de um movimento estudantil dócil, domesticado e governista, que não está no cotidiano das lutas. Por isso, nós fazemos o chamado à enfrentar com toda a força a política de traição da direção majoritária da UNE e da UBES, indo protestar nas ruas! Conseguimos no dia 13/01 implodir a reunião e garantir que o aumento fosse barrado naquele momento, no entanto, os empresários e o Procon/PA realizarão nova reunião no dia 26/01 às 10h para tentar impor o aumento. Nós estaremos lá para bater de frente com os representantes dos tubarões novamente e os burocratas que pactuam com os interesses da burguesia!

Vamos à Luta!

18 de jan de 2015

Ocupar as ruas contra o aumento! Chega de tarifaço, ajuste e repressão!

Mais uma vez o ano começa com reajuste das tarifas do transporte na maioria das capitais do país. Em muitas cidades já estamos pagando mais caro por um transporte cada vez mais precário e que coloca em risco a vida dos usuários, motoristas e cobradores. De acordo com uma pesquisa da FGV, no Rio e em SP, o tempo que o trabalhador precisa trabalhar para pagar apenas uma passagem, são os mais altos do mundo, demonstrando o absurdo que é o aumento da tarifa. Dessa vez, os governadores e prefeitos nem esperaram passar o calor das festas de final de ano, não só com medo de levantes contra o aumento da tarifa como os que ocorreram nas Jornadas de Junho de 2013, mas também porque a brutal crise econômica que há no país faz com que eles adiantem nas costas do povo a conta de suas campanhas eleitorais financiadas pelos empresários.

Unificar as lutas contra o tarifaço, o ajuste e a repressão

Está em curso um verdadeiro tarifaço com aumento dos juros, do combustível, da energia elétrica e das passagens do transporte: tudo isso como parte do pacote de ajuste operado nacionalmente pelo governo Dilma (PT/PMDB) que já começou seu segundo mandato atacando direitos trabalhistas, como o seguro-desemprego, e cortando verbas das áreas sociais, como os R$7 bi a menos na educação pública. Dilma, governadores e prefeitos, do PT ao PSDB, estão unificados na aplicação do ajuste, no aumento das tarifas e na repressão aos protestos, como ficou claro no último ato que ocorreu em SP no dia 16 de janeiro, quando Alckmin (PSDB) e Haddad (PT) estiveram juntos para reprimir com gás, balas de borracha e prisão de manifestantes.
 
A poderosa greve dos operários da Volks em São Bernardo (SP) que conseguiu reverter as 800 demissões que haviam sido feitas pela patronal dá a toda classe trabalhadora e a juventude o exemplo de como resistir e sair vitorioso aos ataques dos governos e patrões. Por isso, é fundamental que, cada vez mais, a juventude se junte à classe trabalhadora, unificando a luta da tarifa com as greves – como as dos funcionários terceirizados em diversas universidades federais do país e dos servidores do DF – e campanhas salariais, como a dos garis e rodoviários no Rio. Exemplo disso é a proposta do DCE Unirio que convocou uma plenária unificada dos DCEs, CAs, DAs e movimento sociais do RJ para tirar uma agenda concreta de lutas no estado para barrar o aumento e as medidas de ajuste de Dilma, Pezão e Paes.

Repetindo Junho de 2013 é possível vencer

Nos dias 9 e 16 de janeiro, a juventude indignada começou a dar nas ruas a resposta contra o aumento. Em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador e em outras cidades, ocorreram grandes atos que demonstraram a disposição dos manifestantes de lutar até a tarifa cair.
 
Em SP, a proposta de “Passe-Livre Estudantil” de Alckmin e Haddad não iludiu a juventude, pois vem junto com um absurdo aumento da tarifa em R$0,50, deixando claro que o governo quer que os trabalhadores que usam o transporte público (muitas vezes familiares dos estudantes que terão o limitadíssimo “Passe-Livre”) é que paguem a conta mais uma vez. O Passe-Livre deveria ser custeado diminuindo o lucro absurdo dos empresários, porém, covardemente, os governos do PT e do PSDB optam por defender o lucro dos tubarões do transporte e atacar os trabalhadores que dependem do transporte público. Em BH, apesar da revogação do aumento de algumas linhas de ônibus no dia 10 de janeiro, a juventude segue mobilizada nas ruas para garantir a vitória total dessa luta.
 
No entanto, só é possível revogar o aumento e impedi-lo nas cidades onde ainda não ocorreu, massificando os atos como em Junho de 2013, quando os milhares que ocuparam as ruas no Brasil, fizeram recuar todos os governos que diziam que não era possível baixar as passagens dos ônibus, trens, metrô e barcas. Infelizmente, a direção majoritária da UNE (UJS/PCdoB-Kizomba/PT) está mais uma vez na contramão da batalha pela massificação dos atos, com o objetivo de blindar os governos compostos por suas siglas partidárias da responsabilidade pelo tarifaço, tanto que em São Paulo decidiram se retirar das manifestações e, sem a menor legitimidade das ruas, abrir negociações com o governo Haddad (PT).
 
Portanto, é importante que os fóruns ou plenárias convocadas pelo Movimento Passe-Livre, votem uma agenda nacional unificada de manifestações nas capitais e, nas cidades menores, datas que não coincidam com os atos das capitais, a exemplo do que foi tirado no último encontro convocado pelo MPL em Niterói. Também a partir desse exemplo, é necessário votar atividades de panfletagem em locais estratégicos que convoquem a população a participar dos atos e, além disso, votar trajetos que estejam taticamente a serviço da massificação dos atos, diferente do que ocorreu no último do Rio que foi da Candelária até a Cidade Nova, sendo que o trajeto Candelária-Cinelândia possui um potencial mobilizador muito maior.
 
Diante disso defendemos:
- Revogação do aumento das passagens retirado do lucro dos empresários do transporte!
- Basta de repressão aos manifestantes!
- Chega de caos e acidentes no transporte público! Pela estatização dos transportes públicos, sob controle dos trabalhadores e usuários, com tarifa-zero para toda população!
- Nenhum direito a menos para os estudantes e trabalhadores! Nenhum centavo a menos na educação pública! Barrar o ajuste de Dilma/Levy!
- Auditoria popular nas contas das empresas de transporte e suspensão das isenções fiscais!
- O rodoviário é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo! Fim da dupla-função nos ônibus! Por aumento de salário e condições de trabalho para os motoristas e cobradores!
- Qualidade também é pela vida das mulheres! Eu não sou Cinderela, por transporte de qualidade 24 horas por dia! Chega de ônibus, trens e metrôs lotados e assédio sexual e violência contra as mulheres nos transportes!

16 de jan de 2015

R$3,30 é um assalto! Ocupar as ruas de Niterói contra o aumento!

No dia 10/01, as passagens de ônibus em Niterói tiveram um absurdo reajuste, passando de R$3,00 para R$3,30. No próximo mês querem aumentar também as tarifas das barcas, de R$4,80 para R$5,00, um impacto gigantesco para o bolso dos trabalhadores e da juventude da cidade, de São Gonçalo e dos estudantes e funcionários da UFF que vem de diversas localidades do estado.

Os governos Rodrigo Neves (PT) e Pezão (PMDB) querem impor um aumento que enche o bolso da CCR e dos empresários do transporte que financiam suas campanhas eleitorais. Na mesma lógica, o governo Dilma (PT/PMDB), governadores e prefeitos de diversos partidos do PT ao PSDB estão juntos para operar uma política de ajuste que tenta passar para a classe trabalhadora e a juventude a conta da crise econômica com aumento dos juros, da gasolina e da energia elétrica, retirada de direitos trabalhistas, cortes de verbas nas áreas sociais, especialmente na educação, e agora o aumento das tarifas: tudo parte de um mesmo pacote em que nós perdemos e os banqueiros, empreiteiros e empresários seguem lucrando.

Chega de caos e sufoco nas barcas e ônibus!

É recorrente a revolta dos usuários das barcas com as filas, atrasos e a péssima qualidade das embarcações que, além de nos fazer sentir numa lata de sardinha, quentes, sujas e cheias de baratas, constantemente ameaçam a nossa segurança com acidentes. Os ônibus, não tiveram a frota renovada e são insuficientes em número e apesar do aumento nas tarifas o trabalhador rodoviário tem o salário cada vez mais desvalorizado e a dupla-função está virando regra, precarizando as condições de trabalho dos motoristas e colocando em risco a segurança deles e dos usuários.

Nós, trabalhadores e estudantes, pagamos duplamente – através de transferência de recursos públicos para as concessionárias e incentivos fiscais e do preço da tarifa – por um transporte caro e sem qualidade. Isso apesar do relatório da CPI dos Ônibus de Niterói, iniciativa da bancada do PSOL na Câmara de Vereadores, ter denunciando o preço abusivo das tarifas e irregularidades nos contratos e licitações entre a prefeitura e as empresas.

Mas a farra dos empresários não para por aí! As empreiteiras responsáveis pelas principais obras na cidade de Niterói, como a Camargo Correa e OAS, estão sendo investigadas no escândalo da Petrobras pela Operação Lava-Jato e o presidente da UTC Engenharia, estaleiro em Niterói, foi homenageado por Rodrigo Neves em 2010 na ALERJ, junto com outras figuras do setor naval, os principais financiadores da campanha de Rodrigo em 2012 e que massacram os operários metalúrgicos com baixos salários e péssimas condições de trabalho.

Nossa luta é nacional!

Nas cidades de SP, RJ, BH, Floripa e Salvador, ocorreram atos nos dias 9 e 16 de janeiro manifestações contra o aumento que reuniram milhares de jovens indignados que já deram um recado que não aceitarão esse aumento. Em Niterói, já ocorreram atividades também por iniciativa do Movimento Passe Livre. É necessário repetir Junho de 2013, quando a força dos atos massificados nas ruas impuseram uma derrota aos governantes e revogaram o aumento das tarifas! Também os trabalhadores da Volks de São Bernardo (SP) estão em greve contra mais de mil demissões na montadora, dando o exemplo de como fazer para não pagar pela crise econômica: lutando e se organizando para enfrentar os burocratas sindicais, patrões e governos. Por isso, é importante também unificarmos as lutas contra o aumento com as greves e campanhas salariais dos trabalhadores, como as dos terceirizados da UFF e dos rodoviários em Niterói.


Nossas propostas:

- Revogação do aumento das passagens de ônibus e barcas retirado do lucro dos empresários!
- Pela estatização das barcas e transportes públicos, sob controle dos trabalhadores e usuários, com tarifa-zero para toda população!
- Fim das restrições ao passe-livre secunda! Pelo direito ao passe-livre universitário! Chega de sufoco para os passageiros! Por qualidade no serviço prestado!

15 de jan de 2015

Vamos à Luta com os trabalhadores em greve da Volks!

A Volks de São Bernardo (SP) enviou, no final de 2014, telegramas comunicando a demissão de cerca de 800 trabalhadores e informando que eles não voltariam ao trabalho no retorno das férias coletivas, no dia 06 de janeiro. Em um comunicado, a direção da empresa afirmou que além dos 800 demitidos, ainda haveriam 2100 funcionários excedentes. Em 6 de janeiro, dia do retorno ao trabalho, foram realizadas assembleias nos três turnos e os metalúrgicos decretaram greve por tempo indeterminado, decisão aprovada por unanimidade.

Essas demissões estão longe de ser um caso isolado, são parte de uma política orquestrada pelo governo Dilma (PT/PMDB) e os patrões, numa clara tentativa de retirada de direitos. Esta orientação fica clara com as medidas de restrição dos benefícios do seguro-desemprego e de direitos previdenciários, e também no corte de verbas de 39 ministérios, que visa deixar de investir cerca de R$ 22,7 bi neste ano de 2015. Na educação, apesar do lema do novo governo ser "Brasil: Pátria Educadora", teve R$ 7 bilhões em cortes.

Também as centrais sindicais pelegas, como a CUT, a CTB e a Força Sindical, fazem parte dessa tentativa de aplicar a conta da crise nas costas dos trabalhadores e da juventude, pois defenderam, junto ao Ministério da Fazenda, a redução das jornadas de trabalho com diminuição dos salários dos trabalhadores, política que está na contramão da luta em defesa dos direitos trabalhistas que estão sendo retirados pelo governo.

Os bravos metalúrgicos da Volks vêm mostrando sua disposição de lutar e enfrentar as demissões. No dia 12 de janeiro, um ato histórico dos operários ocupou a via Anchieta. Participaram dessa manifestação, além dos trabalhadores da Volks, os da Mercedes – onde houve 244 demissões. No dia 15 de janeiro a greve chegou ao seu décimo dia, muito radicalizada, parando 100% da fábrica.

Com sua luta, os trabalhadores metalúrgicos dão o exemplo e mostram que é possível vencer, mas que para isso é necessário sair às ruas e enfrentar os governos e os patrões, assim como já nos mostraram greves históricas que aconteceram em 2014 como a dos garis do Rio de Janeiro, que teve uma vitória monumental, ou a juventude que foi se mobilizou em 2013 e derrotou no Brasil todo o aumento das passagens. Fica o exemplo dos metalúrgicos do ABC, assim como já temos o exemplo da juventude e trabalhadores que estão indo as ruas em dezenas de cidades para lutar mais uma vez contra o aumento das passagens dos ônibus.

É tarefa da juventude indignada que foi às ruas em 2013 apoiar todas as greves dos trabalhadores que estão lutando contra os ajustes, assim como novamente fazer grandes manifestações para derrotar o aumento das tarifas, pois somente com greves, atos e protestos poderemos sair vitoriosos e derrotar os ataques dos governos que são apoiados pelas burocracias sindicais e estudantis como a CUT e a direção majoritária da UNE (UJS/PCdoB - Kizomba/PT), que atuam para desmobilizar as nossas lutas e só se preocupam em defender o governo e garantir seus cargos na máquina pública.

É necessária a mais ampla unidade em defesa dos demitidos da Volks, e a organização conjunta de todas as lutas, greves, campanhas salariais e protestos contra o aumento das tarifas do transporte em curso, contra os ataques do governo Dilma, dos governos estaduais e municipais e dos patrões.

“Pátria Educadora” é uma ova! Derrotar os ataques de Dilma à educação!

Mariana Nolte - Vamos à Luta UFF
Eduardo Rodrigues - Coordenador-Geral do DCE-UNAMA

“Pátria Educadora” é uma ova! Derrotar os ataques de Dilma à educação!

Enquanto a presidenta Dilma Roussef, em seu discurso de posse, anunciou “Pátria Educadora” como lema do seu segundo governo, no dia seguinte Cid Gomes (PROS) tomou posse do Ministério da Educação, aquele ex-governador do estado do Ceará e autor da frase que indignou os profissionais de educação do estado: “Quem quer dar aula faz isso por gosto, e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado”. Pouco anos antes dessa “pérola”, Cid junto a outros governadores havia entrado com uma ação no STF contra a lei do piso salarial.


Mas os ataques não pararam por aí! Foi no governo de Cid Gomes que se reduziu drasticamente os investimentos públicos na educação básica e superior, sendo que nas universidades estaduais os concursos públicos para professores foram substituídos por contratos temporários e, mesmo depois de duas greves docentes, as reivindicações por salário e condições de trabalho foram absolutamente ignoradas pelo governo estadual. Ao mesmo tempo, a expansão do setor privado do ensino superior foi gigantesca e o número de matrículas nas faculdades particulares cresceu como nunca.

Não é surpreendente que Dilma tenha nomeado como ministro da educação uma figura que já demonstrou na prática estar alinhada com o projeto que os governos do PT vem aplicando na educação pública no país. Opera a mesma lógica que fez Dilma optar por colocar Joaquim Levy, que já passou pelo Bradesco e pelo FMI, à frente do Ministério da Fazenda; Katia Abreu (PMDB), presidente da Confederação Nacional do Agronegócio e “ganhadora” do “Prêmio Motosserra” no Ministério da Agricultura; Aldo Rebello (PCdoB), que elaborou o Código Florestal como presente aos ruralistas, no Ministério de Ciência e Tecnologia; ou Armando Monteiro, representante da burguesia industrial, no Ministério do Desenvolvimento. Isso porque a “educação pública, gratuita e de qualidade” é um objetivo que não cabe para as figuras que irão operar uma política neoliberal que combina ajuste, “responsabilidade fiscal”, economia para pagamento de juros e amortização da dívida interna e externa, aumento de impostos e retirada de direitos trabalhistas. Dilma e seus ministros, nomeados através dos acordões fisiológicos e conservadores costurados durante a campanha eleitoral, querem que a educação pública, assim como a classe trabalhadora, os estudantes e a juventude de modo geral, pague a conta da crise econômica.

Não é à toa que a educação foi o setor que sofreu o corte mais brutal no orçamento para 2015, de mais de R$7 bi, o que ainda pode aumentar com a votação do Congresso. Além dos cortes, não podemos esquecer boa parte do total do orçamento da educação tem sido destinado ao ensino privado enchendo os bolsos dos tubarões do ensino, através de programas como Prouni e Fies, o que foi legitimado através do Plano Nacional de Educação aprovado em 2014. A transferência dos recursos públicos para o setor privado também está presente em programas como o PRONATEC, que ainda carrega uma concepção que permite aos patrões elaborarem o tipo de educação que formará a classe trabalhadora, o que possui uma distância gigantesca do projeto de educação emancipadora acumulada historicamente pelos movimentos sociais no Brasil.

Nas universidades federais, os problemas aprofundados pela política de expansão sem qualidade através do Reuni, se manifestam numa profunda crise de condições de ensino e permanência dos estudantes, com insuficiência de bolsas de assistência, ausência de restaurantes universitários, moradias estudantis, infraestrutura de salas de aula, laboratórios e bibliotecas, falta de professores e ofertas de disciplinas, privatização dos H.U.’s através da EBSERH etc. Além disso, só no final de 2014 e início 2015 vimos universidades com atraso de pagamentos das taxas de energia elétrica e telefone, fechamentos de cursos seja por falta de condições estruturais e acadêmicas de existência ou por punição aos boicotes do ENADE, problemas no pagamento dos funcionários terceirizados que se mobilizaram a exemplo das greves e paralisações na UERJ e na UFF e o recente atraso no pagamento de bolsas da CAPES.

Enquanto tudo isso ocorre a direção majoritária da UNE (UJS/PCdoB-Kizomba/PT) se preocupa apenas em como garantir mais e mais ministérios e cargos para suas siglas, mantendo-se como o freio das nossas lutas. Não por acaso desmarcaram o CONEB que ocorreria no Rio em janeiro, para suprimir um espaço de base do movimento estudantil nacional que pudesse articular ações concretas contra os ataques do governo federal.

As instituições particulares de ensino que se expandiram com o apoio do governo Dilma e os programas petistas de transferência de recursos públicos à iniciativa privada enchem os bolsos dos empresários que se associam a multinacionais e oligopólios nacionais, alastram a financeirização do ensino pelo país, multiplicam seus prédios, reduzem a qualidade da educação, criam diversas tarifas extras e ainda aumentam suas mensalidades de forma exponencial anualmente, numa verdadeira farra. Faliram a Gama Filho e a UC no Rio de Janeiro em 2014 e a resposta de Dilma foi repressão aos estudantes que protestavam em Brasília e o olho-da-rua para os trabalhadores de ambas instituições. E mais um exemplo concreto das traições da juventude governista do PT e PCdoB aos estudantes das particulares está ocorrendo agora mesmo no Pará com a absoluta conivência das majoritárias da UNE e UBES quando os empresários atacam os estudantes exigindo novo aumento abusivo das mensalidades (cerca de 8,5%) para escolas, faculdades e universidades de todo o estado. Enquanto o DCE UNAMA e estudantes de outras faculdades e escolas exigiam o congelamento das mensalidades na rua, no dia 13/01, os dirigentes estudantis governistas do PCdoB sentavam com os empresários apoiando aumentos nas mensalidades ao invés de mobilizarem a luta.

Definitivamente, 2015 será um ano de muito enfrentamento ao governo Dilma (PT/PMDB/PCdoB) e aos governadores e prefeitos de sua base aliada ou da oposição tucana encabeçada pelo PSDB. Não podemos aceitar os novos cortes e defender cada centavo destinado à educação para garantir os direitos estudantis. Nesse sentido, além de construir as lutas pela base em cada curso, instituto e universidade, é importantíssima a proposta do DCE da Unirio de realizar uma plenária unificada dos DCE’s, C.A.’s e D.A.’s e movimentos sociais para debater uma agenda de lutas contra os ajustes e cortes de Dilma e contra o aumento das tarifas do transporte no RJ, uma tarefa que deve ser encarada também nacionalmente pelo conjunto da Oposição de Esquerda da UNE, da ANEL e outras organizações combativas da juventude.

12 de jan de 2015

ENECOS: Nota de apoio à luta contra o aumento das mensalidades nas particulares do PA

ENECOS

PARÁ: TODO APOIO À LUTA CONTRA O AUMENTO DAS MENSALIDADES NAS PARTICULARES!

Tod@s ao ato no dia 13 de janeiro!

Antes mesmo do ano novo chegar, os empresários da educação em Belém já arquitetavam mais um reajuste nas mensalidades das instituições de ensino privado – do ensino fundamental ao superior. No dia 11 de dezembro de 2014 foi realizada uma reunião a portas fechadas na sede da Diretoria de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon/PA) para tratar do reajuste de 2015.

Na ocasião, o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Pará (Sinepepa) formalizou a proposta de aumento de no mínimo 8,31% no valor das mensalidades nas instituições. Além do Sinepa, participaram da reunião representantes da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará (OAB-PA), Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (Dieese-PA), Associação de Pais de Alunos Intermunicipal do Estado do Pará (APAIEPA), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e União Nacional dos Estudantes (UNE).

Mesmo sendo convocadas à reunião, as direções da UBES e da UNE não chamaram os estudantes, cumprindo um papel vergonhoso e desmoralizante para o Movimento Estudantil ao ficarem inertes diante de mais um ataque aos estudantes.

Nos últimos 20 anos, essa negociação se deu de forma silenciosa e os reajustes, sempre acima da inflação, foram aprovados de forma amigável e as direções da UNE e a UBES, que em outros tempos chamariam os estudantes à luta, não fizeram nenhum tipo de mobilização para tentar barrar o aumento.

Educação não é mercadoria!

A própria presidente do sindicato dos donos de universidades e escolas particulares (Sinepepa), afirmou em entrevista a um portal de notícias que as universidades particulares estão sendo mantidas basicamente pelos programas Prouni e Fies.

Isso mostra que, ao contrário do que é propagandeado, esses programas têm, na verdade, o objetivo de mandar dinheiro para o setor privado. Ao mesmo tempo, deixam de enviar recursos necessários às universidades públicas, e assim não garantem a qualidade da educação para nenhum dos casos. Ressaltamos que esse fato não é culpa dos estudantes por optarem pelo uso de tais programas, mas sim resultado de uma política educacional que vê a educação como mercadoria, da qual todos os estudantes são vítimas.

Nos últimos anos as mensalidades só aumentam, sem que isso fosse refletido na qualidade de ensino. É preciso fazer mobilização para acabar com a farra dos empresários que mercantilizam a educação.

Dia 13/01 é dia de barrar o aumento!

Mesmo sem poder entrar na reunião que ocorreu no dia 11/12/14, estudantes da Universidade da Amazônia (UNAMA) – maior universidade particular da Região Norte – estiveram em frente ao prédio do Procon PA, com faixas exigindo o congelamento das mensalidades e rechaçando as direções pelegas da UNE e UBES.

A partir daí o Diretório Central dos Estudantes da UNAMA iniciou uma campanha de mobilização contra o aumento das mensalidades. O DCE UNAMA também marcou um ato para o próximo dia 13 de janeiro, quando ocorrerá mais uma reunião entre o Procon e as entidades para decidir o aumento.
A Enecos se soma à luta contra o aumento das mensalidades e reforça o convite para o ato no dia 13/01 em frente à sede do Procon, que fica na Travessa Castelo Branco, entre Magalhães Barata e Gentil Bittencourt, no bairro de São Bráz, em Belém.

Seguir na luta por educação de qualidade, sem aumento de mensalidades!

Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social – ENECOS.
Janeiro de 2015